Só para adiantar: Isso não é um desabafo mega explosivo. Não julgue o texto pelo título. No final…é até bem otimista.
Duas semanas atrás assisti um filme do Woody Allen com meu namorado. O título da película é sugestivo: “Tudo pode dar certo” e te leva a acreditar que o filme será mais um daqueles bem água com açúcar, cheio de galãs e mulheres que levam sua autoestima lá embaixo e que provocam algum contentamento para esquecer os problemas.
Não sou e nem pretendo ser crítica de cinema. Não tenho conhecimento e tão pouco sou “cult” o suficiente para isso, mas queria deixar registrado como esse filme foi peculiar e marcou um debate entre eu e meu namorado sobre o rumo que as pessoas tomam na vida e de como o ser humano (eu me incluo) é manipulado por todos os lados, seja pela família, pelos amigos, pelos colegas de profissão e até por si mesmo.
“Tudo pode dar certo”conta a história de um genial e, no entanto, pessimista e insuportável cara já com os seus 60 anos que durante boa parte da sua vida passa a reclamar de todos os aspectos da humanidade. Ele acredita que a melhor opção é não se relacionar com as pessoas. Por se considerar “acima da média”, ele passa a destratar estranhos e amigos. Em meio à história contada de forma hilariante..passei a me identificar de alguma forma com o velho reclamão e insuportável. Aliás, acho que boa parte do público que assistia..também se identificou com o personagem (nao me perguntem porque dessa impressão).
O que chama a atenção são as críticas que o filme faz ao comportamento humano, ao fato dos EUA não gostarem de imigrantes ou a alimentaçao forçada que temos que ter na esperança de prolongar a vida..Não é questão de pessimismo ou desacreditar na capacidade do ser humano de fazer o bem…mas sim entender que boa parte do que nos é colocado (o consumismo, o corpo perfeito e acreditem…até mesmo as atitudes politicamente corretas) é produzido e embutido em nossas mentes. Ao ver o filme, me identifiquei com o velho por ser o tipo de ser humano que reclama das coisas mais inúteis do mundo e por ser uma mente manipulada pelo próprio egocentrismo.
Viagens à parte…toda essa escrita não é para descrever que acabei de perceber que sou manipulada infinitamente por todos os lados, mas sim para afirmar que nós – seres humanos – indivíduos de sociedades em que desde a opção de roupa à opção de profissão bem sucedida ou não é ditada especialmente por nossos amigos e familiares, mesmo que de forma não intencional.
Boa parte do que acreditamos ter escolhido para essa vida, seja qual for o contexto.. tem base na política de agradar o outro, de mostrar para o outro, de se envaidecer frente ao outro ou para curar frustações geradas por processos de culpa, medo e padrões preestabelecidos.
Percebi que isso tende a atrasar nosso processo de evolução no que diz respeito à soliedariedade e humanidade para com o próximo, assim como na elevação da saúde espiritual e mental.
Acredito que o processo evolutivo está principalmente em desenvolver dicernimento, ter atitudes mais conscientes e tentar entender o porquê de certos comportamentos, sejam eles positivos ou negativos. Estou em busca disso, mesmo sabendo que não terei resposta para tudo..mas como o próprio filme sugere…”tudo pode dar certo”, quando existe a tentativa de ser alguém melhor para si e para os que te rodeiam.
P.S: Para quem não entendeu ( se é que alguém vai conseguir chegar até o final da minha terapia rsrsrsr ) assista ao filme ou deixe pra lá…é dificil entender quando se trata da viagem de auto-análise de outra pessoa.
Peço perdão por algum erro de português. Ainda não decorei o pequeno Código da Nova Ortografia.
Fim do dia..fim da sessão de hoje.